ICONOCLÁSSICOS
Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz
Filme-ensaio que recria o ideário do cineasta Rogério Sganzerla por meio dos signos recorrentes em sua filmografia: Orson Welles, Noel Rosa, Jimi Hendrix e Oswald de Andrade. O método de criação, a musicalidade do olhar, o estilo inovador na montagem, o duo com Helena Ignez que revolucionou a mise en scène no cinema, a parceria com Júlio Bressane na produtora Belair e a atitude iconoclasta do diretor atravessam o filme numa linguagem que se contamina com a dicção vertiginosa do artista. Narrado em primeira pessoa, a partir de imagens raras e situações encenadas, hoje com personagens-chave de sua obra, Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz revela a cosmovisão do autor catarinense, refletindo sobre seu percurso inventivo.
Ficha Técnica
Joel Pizzini, Rio de Janeiro, 90 min, 2011
Rogério Sganzerla
Um dos cineastas mais significativos do país, Rogério Sganzerla se tornou conhecido pelos clássicos O Bandido da Luz Vermelha (1968) e A Mulher de Todos (1970), sucessos de bilheteria e de crítica. Intelectual transgressor, iniciou como crítico aos 17 anos, escrevendo no Suplemento Literário do Estado de S. Paulo e depois no Jornal da Tarde, onde trabalhou como correspondente no Festival de Cannes. Nos anos 70, no auge da contra-cultura, fundou com a atriz Helena Ignez e com o diretor Júlio Bressane a produtora Belair, que produziu seis longas-metragens em seis meses. Pela radicalidade e dimensão anárquica da experiência, e impedido de finalizar e distribuir seus filmes Copacabana Mon Amour e Sem Essa Aranha no Brasil, partiu para o exílio em Londres. Ao lado de Helena, sua companheira por mais de 30 anos, revolucionou a arte de interpretar no cinema, produzindo 30 filmes, entre longas, videos e curtas-metragens. Autor do livro Cinema Sem Limites e de inúmeros roteiros inéditos, Sganzerla compôs uma tetralogia sobre a passagem de Orson Welles pelo Brasil, que culminou em seu filme-testamento, Signo do Caos (2003). "Um cineasta para o novo milênio" como definiu o crítico do Cahiers Du Cinema, Bill Krohn, o cineasta catarinense vem sendo redescoberto atualmente por festivais internacionais como Turim, Fribourg e Bafici que organizaram retrospectivas integrais de sua filmografia.
Joel Pizzini
Autor de filmes-ensaio, videoinstalações e textos críticos. É conselheiro da Escola do Audiovisual de Fortaleza; professor da Faculdade de Artes do Paraná; curador da restauração da obra de Glauber Rocha e codiretor, com Paloma Rocha, dos documentários extras dos DVDs do cineasta. Foi curador das retrospectivas Faces de Casavetes, Festival Jodorowsky, Estratégia do Sonho, o Primeiro Cinema de Bertolucci, e Ocupação Sganzerla. Participou do projeto Artecidade e da Bienal de São Paulo, Mercosul com videoinstalações e direção de performances. Atualmente finaliza Olho Nu, filme sobre Ney Matogrosso, coproduzido pelo Canal Brasil, e Mr. Sganzerla, produzido pelo Itaú Cultural.
Diversos filmes seus conquistaram prêmios nacionais e internacionais. Enigma de um Dia (1996) e Anabazys (2009) representaram o país no Festival de Veneza. Glauces, Estudo de um Rosto (2001) e Dormente (2005) participaram de importantes festivais como Locarno e Oberhausen, respectivamente. Caramujo-Flor (1989), primeiro curta do diretor, ganhou o prêmio principal no Festival de Huelva (Espanha). Os longas 500 Almas (2004) e Anabazys (2009) conquistaram os prêmios de Melhor Filme, Som e Fotografia, o prêmio Especial do Júri e o de Melhor Montagem, nos festivais do Rio, de Mar del Plata e de Brasília, entre outros.