Resgatar os processos traumáticos arraigados na sociedade brasileira transcende os limites da historiografia – seja pela escassez de documentação ou por um esforço negacionista contra o reconhecimento de processos históricos de violência, genocídio e epistemicídio –, instigando artistas e pesquisadores a se utilizar de estratégias como a fabulação para conseguir evidenciar tais processos, apresentar histórias e personagens fundamentais para entendermos a história de nosso país – da colonização aos dias de hoje.
O projeto EDSON – contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2023-2024 – se utiliza de tais ferramentas para nos apresentar a história de Edson Luís de Lima Souto, estudante assassinado pela Polícia Militar em protesto no Rio de Janeiro em 1968, durante a ditadura militar brasileira. A obra choca fatos históricos com uma narrativa ficcional para desenhar um panorama do Brasil de 1968 e recontar a trajetória da ditadura militar e a luta estudantil, a partir da perspectiva do analfabetismo. O jovem assassinado pela ditadura militar se tornou o pivô da histórica passeata dos Cem Mil, e sua história permanece sem o devido resgate. O projeto investiga diferentes narrativas factuais e fantasiosas para dar ao jovem, que virou mártir do dia para noite, uma perspectiva e narrativa digna.
Escrito, dirigido e atuado por Matheus Macena, o espetáculo conta a história da família Lima Souto desde a saída de Belém (PA), até o assassinato do jovem no Rio de Janeiro. No processo narrativo, a obra abraça a oportunidade de fabular, tornando este conto documental um reflexo de cada família brasileira, transformando o núcleo familiar apresentado em uma alegoria para toda história brasileira. Edson, seu pai, sua mãe e irmã re-contam e refazem os a história do Brasil: colônia, império e república.
A performance cênica realiza abertura de processo nos dias 22 e 23 de março de 2025, durante a 9ª edição da mostra Farofa do Processo, programação paralela à Mostra Internacional de Teatro de São Paulo – MITsp. A mostra acontece no Complexo Cultural Funarte SP, entre os dias 13 e 23 de março. Confira a programação no site da FAROFA.
Abertura de processo é um momento da produção teatral que promove a interação entre artistas e o público para apresentar estudos de cena, vivências e processos de desenvolvimento de uma obra, estimulando um bate-papo que tem como objetivo aperfeiçoar a criação artística.
Abertura de processo do espetáculo EDSON
22 e 23 de março de 2025
sábado | às 12h
domingo | às 18h
[duração aproximada: 70 minutos]
50 lugares
[classificação indicativa: 16 anos, segundo autodefinição]
Galpão Renée Gumiel – Complexo Cultural Funarte SP | Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos, São Paulo/SP
Retire seu ingresso 1 hora antes da realização do evento na bilheteria da Funarte SP
Ficha técnica
Dramaturgia, direção e atuação: Matheus Macena
Direção musical: Pedro Nego
Cenografia: Bidi Bujnowski
Iluminação: Gabriel Pietro
Produção: Corpo Rastreado
Matheus Macena é ator, dramaturgo e diretor. Ganhou o Prêmio Shell de melhor ator pelo espetáculo Musical pré-fabricado, de Michel Melamed, em 2024. Integrou o The Watermill Program em Nova Iorque como performer no ano de 2019. É co-criador da performance Clearing the Internal Forests, dirigida por Bob Wilson e Naufus Ramirez. Atuou no longa-metragem Um Animal Amarelo de Felipe Bragança, estreado no Festival de Rotterdam (Holanda), IndieLisboa (Portugal), Festival de Toulouse (França), filme ganhador nas categorias de melhor roteiro, melhor longa-metragem, melhor atriz e melhor direção de arte” no Festival de Gramado (RS), em 2020. Foi bailarino na Cia. Lia Rodrigues de Danças, no Centro de arte da Maré (RJ). Realizou o processo criativo para a estreia do espetáculo ENCANTADO no Theatre National de Chaillot, em Paris (Franças), em 2021.
Gabriel Prieto é artista, iluminador e designer de luz. Bacharel em Artes Cênicas pela Casa das Artes de Laranjeiras - CAL, iniciou sua carreira como iluminador em 2014 no teatro Tablado. Assistenciou o mestre Jorginho Carvalho e participou da aplicação da disciplina de Iluminação na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Assinou luzes de mais de 50 peças teatrais profissionais e é designer de luz e responsável técnico de festivais como Tim Music, Prudential Concerts e Equatorial de Natal. Ilumina show de artistas como Planet Hemp, Duda Beat, Rubel, Amigos da Onça, Pedro Baby e Lúcio Mauro Filho, entre outros. Foi premiado como melhor Iluminação no FESTU e Festival Nacional de Caxias.
Bidi Bujnowski é diretora de arte, figurinista e cenógrafa. Formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ em Artes Plásticas - pintura, e Artes Cênicas - figurino, também estudou Direção de Arte para cinema com Marcos Flaksman, na ABC Escola de Cinema. Desde 2014, compôs adereços, cenários e figurinos para mais de 30 espetáculos, óperas, musicais, filmes de curta e longa metragem. Assinou Cenografia e Figurino de espetáculos premiados como Iroko - A história do meu universo (2018) e Vácuo (2018). Recebeu o prêmio de Melhor Figurino no Festival Esqueterê 2021 por Há fogo nas Montanhas. Como aderecista foi responsável pela criação e confecção de adereços de vitrine para 6 coleções da loja FARM.
Pedro Nêgo é músico, produtor e diretor musical. Começou a estudar guitarra aos 13 anos na escola de música Villa-Lobos. No teatro, participou como músico das peças Da Carta ao Pai (2013), Pesadelo (2014), Caranguejo Overdrive (2015 a 2023) e Laio e Crísipo (2015 a 2019) e Terra Desce (2023) d’Aquela Cia de Teatro, Tripas (2017 a 2020) e Filhos d Medea (2019). Assinou a Direção Musical dos espetáculos Pesadelo (2014), Tão Tão (2016) – sendo indicado ao prêmio Zilka Salaberry como melhor direção musical –, Belchior - O Musical (2018), Isso que você chama de lugar (2019), entre outros. Também compôs a trilha sonora das peças Edward Bond para tempos conturbados (2017), Vácuo (2018), Gravidades (2018) e A Menina do Kung Fu (2019). No cinema fez a trilha sonora do longa B.O. (2017) e Álbum em Família (2021) que foi selecionado para Mostra Competitiva do Festival de Gramado (2021). Co-assinou a produção musical do EP Sozinho (2019), de George Sauma, e a direção musical de seu show. Integrou a banda Choque do Magriça e é sócio fundador da ONG Conexão do Bem. Em 2022, compôs trilhas para podcasts da Rádio Novelo.