Como nasce um romance histórico de fôlego? Quais os métodos, os percalços e as investigações que estão por trás das páginas de uma grande obra? Para responder a essas perguntas, o premiado escritor, jornalista e cineasta João Silvério Trevisan compartilha as intimidades de sua carpintaria literária na atividade Viagem a Veneza – programação especial que será conduzida por ele na sede do Itaú Cultural (IC), em São Paulo (SP), em cinco encontros sequenciais, a ocorrerem nos dias 29, 30 e 31 julho e 1º e 2 de agosto. Neles, o autor destrinchará o passo a passo da gestação de seu romance Ana em Veneza (1994).
Nessa aclamada obra, Trevisan costurou laços entre realidade, ficção e personagens históricos, e, ao longo da jornada de Viagem a Veneza, ele revelará, minuciosamente, como fez esse entrelaçamento. A atividade – que integra a programação da atual edição do evento Todos os gêneros: mostra de artes e pluralidades, do IC –, assim, é voltada não só a estudantes, escritores e pesquisadores, como também a qualquer pessoa que tenha interesse em literatura e em processos de criação artística.
Para participar, é necessário inscrever-se – e isso deve ser feito, exclusivamente, por meio deste formulário on-line. As inscrições ficarão disponíveis a partir das 11h do dia 7 de julho. São 60 vagas, preenchidas por ordem de inscrição.
Confira a lista de pessoas inscritas
Adriano Augusto de Barros
Ana Célia Aschenbach
Ana Cláudia Allain de Paiva Martins
Ana Rodrigues
Ana Soares
Anderson Santana Dantas
Andreza Zanin Heitzmann
Antonio Carvalho Costa
Arnaldo Ignácio dos Santos Junior
Augusto Nascimento
Caio Augusto Pereira da Silva
Caroline Dantas Aguiar do Nascimento
Cecilia Alves Sinfronio Odainai
Cristiano Mello de Oliveira
Daniele Rodrigues de Faria
Davi Assis Novaes
David Fernandez
Émerson Rossi
Felipe de Sousa Ferreira
Fernanda Negro Sales
Flavio Carrança
Guilherme David S. Carvalho
Hanna Korich
Henrique Vieira Fernandes
Jacilene Colaço da Silva
Jefferson Mercadante
Joao Carvalho
João Otávio Bacchi Gutinieki
John Gonçalves
José Carlos Barbosa Lopes
José Felipe Batista dos Santos
Karlene Bianca de Oliveira
Lucas Queiroz
Maira Garcia
Márcia Correia
Marcos de Campos Visnadi
Marcos Morelli
Maria Cândida Miguel
Mariana Rodrigues Festucci Grecco
Mariangela Vieira
Marlene Cardoso
Marlene Laky
Mateus Souza
Oliver Christiaan Bruno Scheepmaker
Rafael Matrone Munduruca
Regina Maria Silveira Santos
Reginaldo Luciano de Araujo
Renata Maria Ramos Soares
Rosa Palmira Jácobo Goebbels
Rosangela Ferreira de Carvalho Borges
Rosangela Gomes Piedade
Rubens Augusto Dias Serralheiro
Tassia do Nascimento
Telma Manolio
Verenna Fernanda Alves de Barros
Vinicius Almeida
Wagner Ribeiro
William Magalhães
Yuri Zaitune
Zilá Arruda Agriel
Uma odisseia literária em cinco atos
A estrutura dos cinco encontros segue, cronologicamente, as partes que estruturam Ana em Veneza e acompanham também a própria investigação histórica que Trevisan realizou para desenvolver essa obra. O objetivo de tal desenho é que os encontros funcionem, para os participantes, como um diário de bordo – e, também, como uma aula de narrativa.
No “Encontro I – Prelúdio: um dedo de prosa”, Trevisan compartilhará os métodos de trabalho que utilizou no romance mencionado e os problemas que enfrentou nas pesquisas para tal obra. Além disso, o autor fará a apresentação de um dos personagens do livro, o qual está inserido no contexto de uma icônica localização, numa temporalidade situada pouco antes da década de 1920: o compositor cearense Alberto Nepomuceno, na Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro (RJ), em 1919. Lembrando que tanto Nepomuceno quanto a confeitaria são reais, e que Nepomuceno de fato frequentava esse estabelecimento – mas a situação narrada por Trevisan envolvendo o personagem e a confeitaria é ficcional: trata-se da marcante dinâmica entre história e ficção (citada anteriormente) que caracteriza Ana em Veneza.
Nos três encontros seguintes (“Encontro II – 1ª parte: de Paraty a Lübeck”; “Encontro III – 2ª parte: a longa viagem” e ”Encontro IV – 3ª parte: exílios em Veneza”), o público cruzará continentes e temporalidades: desde a infância de Júlia da Silva Bruhns (mãe do escritor alemão Thomas Mann) e sua viagem de Paraty (RJ) para a Alemanha, acompanhada de Ana, mulher negra escravizada; passando pelos estudos de Nepomuceno em Roma, na Itália; e chegando até o emblemático e ficcional encontro dessas três figuras em Veneza, também na Itália, no ano de 1890.
O quinto e último compromisso – “Encontro V – 4ª parte: no vasto oceano da história” –como o próprio nome diz, propõe um mergulho na imensidão histórica já aventada, de modo a enfim conectar, numa espiral temporal estabelecida entre 1891 e 1991, os caminhos ferroviários e aéreos entre Berlim, na Alemanha; Viena, na Áustria; e Montreux, na Suíça.
João Silvério Trevisan é escritor, cineasta e um dos principais pioneiros do ativismo LGBTQIAPN+ no Brasil. Exilado nos anos 1970 – após o único longa-metragem que dirigiu ser censurado pela ditadura –, ele ajudou a fundar o histórico grupo Somos e o jornal Lampião da Esquina. Com 15 livros publicados, além de três prêmios Jabuti e três prêmios APCA (concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)) no currículo, Trevisan tem uma produção artística profundamente conectada à sua militância política, o que lhe rendeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Viagem a Veneza – parte da mostra Todos os gêneros: mostra de artes e pluralidades [com acessibilidade em Libras]
Encontro I – Prelúdio: um dedo de prosa
quarta 29 de julho de 2026
às 18h
[duração aproximada: 90 minutos]
Encontro II – 1ª parte: de Paraty a Lübeck
às 18h
Encontro III – 2ª parte: a longa viagem
às 18h
Encontro IV | 3ª parte: exílios em Veneza
às 16h
[duração aproximada: 90 minutos]
Encontro V | 4ª parte: No vasto oceano da história
às 16h
[duração aproximada: 90 minutos]
[classificação indicativa: 18 anos, segundo autodefinição]
60 vagas – Inscrições via formulário on-line