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Libras, protagonismo e autonomia: o audiovisual como ponte para a comunidade surda

No mês do Dia Nacional do Surdo, a Itaú Cultural Play destaca recursos de acessibilidade e produções nacionais como "Crisálida" e "Min e as Mãozinhas", que colocam a cultura surda no centro da narrativa

Publicado em 30/09/2026

Atualizado às 15:50 de 30/09/2026

O Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro, é um marco histórico para a reflexão sobre direitos, inclusão e a valorização da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Muito além de relembrar conquistas e reafirmar lutas, a data convida a sociedade e os equipamentos culturais a repensar a democratização do acesso às artes e à informação no país.

Nesse contexto, o audiovisual desempenha um papel decisivo tanto como ferramenta de expressão quanto como janela de representatividade. Garantir que a comunidade surda possa consumir e produzir cinema é um passo fundamental para transformar a experiência cultural brasileira em uma vivência verdadeiramente plural e sem barreiras.

O streaming AA

Alinhado a esse compromisso, a Itaú Cultural Play consolida-se como um espaço dedicado à difusão do cinema nacional com olhar atento à acessibilidade. Pensado para oferecer autonomia desde o primeiro clique, o streaming prioriza as diretrizes de acessibilidade digital estabelecidas pelo W3C (World Wide Web Consortium), atingindo o rigoroso nível AA das WCAG (Web Content Accessibility Guidelines). 

Este nível representa o padrão ouro global de inclusão digital, garantindo que o site e o aplicativo ofereçam navegação por teclado, compatibilidade completa com leitores de tela e contrastes visuais adequados que eliminam barreiras de uso para pessoas com diferentes tipos de deficiência.

Além disso, essa diretriz de acessibilidade se estende à experiência do usuário com o próprio catálogo. O reprodutor de vídeo foi desenhado para dar total liberdade ao espectador, permitindo ativar e alternar facilmente entre janelas com tradução em Libras, legendagem descritiva (LSE) e audiodescrição. Dessa forma, a autonomia técnica da interface conecta-se diretamente ao consumo de conteúdo, garantindo uma fruição cultural fluida e sem ruídos. A acessibilidade, em termos gerais, é como um "braço editorial" da plataforma, permanente, sempre em expansão

Um catálogo acessível

A plataforma de streaming gratuita oferece um catálogo diverso pensado para atender diferentes necessidades do público, garantindo que o direito à cultura seja exercido plenamente por todas as pessoas. Um dos grandes destaques do catálogo que exemplifica essa visão é o filme Crisálida. 

A obra ganha relevância não apenas pelo enredo que aborda o cotidiano e os desafios da comunidade surda em Santa Catarina, mas principalmente por sua concepção: a produção tem pessoas surdas tanto na frente quanto atrás das câmeras, ou seja, na atuação e também na equipe de produção e criação. 

Ao colocar atores e profissionais surdos no protagonismo da narrativa, Crisálida estabelece um marco de autenticidade no cinema brasileiro. A obra evidencia como a acessibilidade deixa de ser apenas um recurso técnico para se tornar a própria linguagem estética e narrativa da produção.

Infância acessível

A formação de público e a inclusão desde a infância também ganham espaço na curadoria do streaming. Exemplo disso é o infantil Min e as Mãozinhas: As Cores Sumiram, considerado uma das primeiras animações brasileiras desenvolvidas inteiramente em Libras para crianças surdas e ouvintes.

Na trama de Min e as Mãozinhas, a linguagem gestual e a comunicação visual conduzem a aventura, promovendo o aprendizado e a empatia de forma lúdica. A animação estimula que crianças ouvintes aprendam os sinais enquanto permite que as crianças surdas se reconheçam na tela de forma natural.

Mais do que uma plataforma de streaming gratuita, a Itaú Cultural Play consolida-se como um equipamento público de democratização da cultura em várias frentes. Ao combinar diretrizes internacionais de acessibilidade digital a uma curadoria que coloca a comunidade surda no centro das produções, o projeto reforça que garantir o acesso à arte e ao entretenimento é um passo fundamental e inegociável para a construção de um audiovisual verdadeiramente inclusivo no Brasil, e transforma o 26 de setembro em um convite permanente à reflexão e ao consumo cultural sem barreiras. 

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