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Mês das crianças na IC Play: descobrindo animações brasileiras com a minha filha

A jornalista Luísa Pécora fala sobre filmes infantis presentes no catálogo da IC Play

Publicado em 19/10/2026

Atualizado às 20:02 de 19/10/2026

por Luísa Pécora

Nas últimas semanas, explorei o catálogo da Itaú Cultural Play ao lado de uma convidada especial: Alice, minha filha de 4 anos. Como muitas crianças, Alice tem tempo de tela limitado. E, no início, eu me preocupava menos com o que ela via e mais com quanto ela via. Isso mudou conforme aumentaram as influências externas e a televisão foi sendo tomada por programas variados, mas que seguiam uma mesma fórmula: ritmo acelerado, cortes rápidos, cores vibrantes e efeitos sonoros intensos.

Inúmeros estudos já alertaram sobre o efeito negativo do excesso de estímulo na concentração e no comportamento das crianças. Contudo, além dessa preocupação primordial, eu tinha outra, ligada à minha própria relação com o cinema: como escapar do padrão visual e narrativo que domina as plataformas e é promovido pelos algoritmos? Como mostrar, desde cedo, que há muitas formas de contar histórias?

Unindo esse propósito ao desejo de aproximar minha filha do cinema brasileiro, selecionei alguns títulos do catálogo infantil da IC Play para ver com ela. Comecei pela animação Contos mirabolantes – o olho do Mapinguari, que me pareceu ser o filme mais próximo daqueles que ela já conhecia – um curta muito colorido, centrado na menina Maria Estrela, que narra uma história fantástica para os pais antes de dormir.

Alice gostou imediatamente da personagem. Primeiro, disse que se parecia com ela, que adora ouvir e contar histórias; depois, com a protagonista de uma série estrangeira que também vive grandes aventuras em um mundo mágico. A comparação faz sentido, mas o curta brasileiro não tem nada de genérico: Maria Estrela voa montada em um boi-bumbá, narra um conto inspirado na lenda amazônica do Mapinguari e conversa com tatus, onças e macacos.

Para a minha surpresa, todos os outros favoritos dela foram filmes sem diálogo. Alice encantou-se com Tsuru, no qual uma folha de papel se transforma em uma ave de origami; divertiu-se com PiOinc, que narra a amizade de um porco e um passarinho no Cerrado; e envolveu-se com Napo, sobre a relação de um menino com o avô que tem Alzheimer. O tema era complexo para a idade dela, porém a identificação com o protagonista, que adora desenhar, falou mais alto.

Fotografia colorida de miniatura de porquinho cor-de-rosa com orelhas pontudas, focinho arredondado e expressão sorridente. Fundo claro e desfocado.
PiOinc (2023), de Alex Ribondi e Ricardo Makoto (imagem: divulgação)

Os filmes também renderam boas conversas sobre muitos assuntos: da festa do boi-bumbá aos animais da Amazônia, passando pelos “diferentes tipos de desenho”, como Alice se referiu às múltiplas técnicas de animação. 

Aproveito outubro, o mês das crianças, para compartilhar as recomendações dela (e mais duas minhas) na playlist abaixo. Boas sessões em família!

Playlist relacionada:
Abraços (2025), de Barcabogante
Contos mirabolantes – o olho do Mapinguari (2023), de Andrei Miralha e Petronio Medeiros 
Napo (2020), de Gustavo Ribeiro 
O jardim mágico (2025), de Naira Carneiro e Carlon Hardt
PiOinc (2023), de Alex Ribondi e Ricardo Makoto
Tsuru (2024), de Pedro Anias

Veja também:
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