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Morre Zé Celso, aos 86 anos

Criador do Teatro Oficina foi vítima de um incêndio em seu apartamento, em São Paulo (SP)

Publicado em 06/07/2023

Atualizado às 03:00 de 11/05/2025

Silêncio no teatro brasileiro. Morreu nesta quinta-feira, 6 de julho de 2023, José Celso Martinez Corrêa, criador do Teatro Oficina. Mais conhecido como Zé Celso, ele foi internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo (SP), na terça-feira, dia 4 de julho, depois de um incêndio em seu apartamento, no bairro do Paraíso. O dramaturgo teve 53% do corpo queimado. O marido, o ator Marcelo Drummond, com quem Zé Celso viveu por 37 anos e casou mês passado, também foi levado ao hospital na ocasião, e segue em observação depois de ter sido diagnosticado com covid. O incêndio foi causado por um aquecedor elétrico e começou no quarto de Zé Celso.

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O velório foi aberto ao público, no Teatro Oficina, e durou até a manhã desta sexta-feira, 7 de julho. Zé Celso foi cremado em cerimônia reservada para amigos mais próximos e familiares.

Homem idoso, de cabelos brancos, aparece de braços abertos, sorrindo. Ele usa uma camiseta vermelha e um colar amarelo de miçangas.
José Celso Martinez Corrêa morreu nesta quinta-feira, 6 de julho de 2023 (imagem: Jennifer Glass)

Além de ter sido homenageado no programa Ocupação, em 2009, Zé Celso também foi tema de um dos filmes da série Iconoclássicos, produzida pelo Itaú Cultural. EVOÉ! Retrato de um Antropófago é dirigido por Tadeu Jungle e Elaine Cesar, e está disponível na Itaú Cultural Play. O documentário reúne depoimentos e imagens históricas da carreira do diretor, ator e dramaturgo, tendo como cenários o sertão da Bahia, a praia de Cururipe, em Alagoas, Epidaurus e Atenas, na Grécia, e a casa de Zé Celso, na capital paulista.

Homem idoso está de pé, sorrindo, com as mãos abertas para a frente. Ele está em um corredor relativamente estreito, com arquibancadas de ferro dos dois lados.
José Celso Martinez Corrêa no Teatro Oficina, em São Paulo (SP) (imagem: Agência Ophelia)

"Zé Celso se entregou à missão de despertar paixões e instigar o inconsciente das pessoas – belezas ocultas, sentimentos escondidos. Ele transformou o teatro em um catalisador poderoso para provocar emoções, alimentar desejos e desencadear experiências catárticas em seu público infinito. E, não contente com tudo isso, enfrentou a ditadura e lutou por um país livre. Evoé, Oficina! E nosso pesar para a grande família brasileira das artes e em especial ao seu marido, Marcelo Drummond", afirma Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú.

>>Assista a todos os vídeos da Ocupação Zé Celso aqui

O último episódio da quarta temporada da série de entrevistas Camarim em Cena, produzida pelo Itaú Cultural, recebeu Zé Celso, que falou para Nelson de Sá sobre sua vida e carreira, que se confunde com a história do teatro brasileiro.

“Zé Celso é muito mais que um mestre, um ícone de muitas gerações do teatro brasileiro. Eu sou uma pessoa do teatro, formada pelo teatro, como atriz e artista antes de qualquer coisa.  Experimentei outras tantas possibilidades de cena e de fruição vendo suas peças”, comenta Galiana Brasil, gestora do Núcleo de Artes Cênicas, Literatura e Música do Itaú Cultural. “Tem um teatro que se vai com ele, com sua presença xamânica acontecendo diante dos nossos olhos, ali, no Teatro Oficina, casa sua. Mas ele deixa um legado gigante, de um espaço que é um patrimônio imaterial para o teatro brasileiro e, sobretudo, da formação de públicos que se encantaram pelo teatro, pelo ponto de vista do espectador, e nunca era uma vivência passiva. Era avassalador”, completa.

Nascido em Araraquara (SP), em 1937, José Celso Martinez Corrêa estudou Direito no Largo de São Francisco, na capital paulista, integrando o núcleo de estudantes que funda o Grupo de Teatro Amador Oficina. Como consta na Enciclopédia Itaú Cultural, seus primeiros textos, Vento forte para papagaio subir (1958) e A incubadeira (1959), ambos autobiográficos, são montados pela companhia sob direção de Amir Haddad (1937). 

Homem idoso com enfeite de folhas na cabeça aparece em cena, com os braços para cima, em um teatro.
José Celso Martinez Corrêa em cena na peça "Bacantes" (imagem: Jennifer Glass)

A importância incontestável do Teatro Oficina para a cultura brasileira segue viva. Os trabalhos mais recentes, ao longo das décadas de 2000 e 2010, seguiram a proposta de fazer releitura dos textos originais, em benefício da incorporação de material autobiográfico, dos integrantes ou do próprio Oficina, a partir do momento político e social do país, em um movimento denominado pelo grupo de Antropofagia Orgiástica ou uma Tragicomédiaorgya, além de releituras de peças já apresentadas e adaptadas à realidade político-social de seu tempo, como O rei da vela (2017) e Roda viva (2019).

Abaixo, assista à live com Zé Celso e Monique Gardenberg, em junho de 2022, que marcou o lançamento do filme Esperando Godot na plataforma de streaming Itaú Cultural Play.

Todo o percurso de Zé Celso no teatro brasileiro, você acessa aqui.

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