Bastos teve papéis importantes em longas-metragens como “Deus e o diabo na terra do sol”, "São Bernardo" e “Longo caminho da morte”
Publicado em 23/05/2023
Atualizado às 03:00 de 11/05/2025
Um dos atores mais ativos de sua geração, Othon Bastos completa 90 anos hoje, 23 de maio. Natural de Tucano (BA), o intérprete tem em seu extenso currículo importantes produções no teatro, na televisão e no cinema, sendo esse último o meio no qual deu vida a um de seus papéis mais consagrados – Corisco, o cangaceiro conhecido como Diabo Louro que inspirou Deus e o diabo na terra do sol (1964), clássico de Glauber Rocha.
Esse e outros cinco filmes com atuação de Bastos estão disponíveis na Itaú Cultural Play, streaming dedicado ao cinema brasileiro – a lista está logo abaixo. Para assistir às produções, basta se cadastrar na plataforma gratuitamente.
Deus e o diabo na terra do sol (1964)
Direção: Glauber Rocha
O drama do sertanejo Manuel (Geraldo del Rey), que mata o patrão e foge com a esposa, Rosa, dando início a uma jornada que vai ao encontro do cangaceiro Corisco, vivido por Othon Bastos.
Longo caminho da morte (1971)
Direção: Julio Calasso
A atuação de Bastos como o cafeicultor Orestes, dono de uma imensa propriedade e de um negócio que estão em decadência, é o destaque do longa. Entre a realidade e o delírio, a razão e a loucura, Orestes nutre sonhos de uma futura bonança financeira enquanto caminha por ruínas e campos desabitados.
São Bernardo (1972)
Direção: Leon Hirszman
Baseada na obra de Graciliano Ramos, a adaptação de Leon Hirszman traz Paulo Honório (Othon Bastos), sertanejo de origem humilde que faz sua fortuna e compra uma fazenda. Em sua luta pessoal para enriquecer, mecaniza suas terras e explora a tudo e a todos com cálculo e crueldade. Para fechar esse caminho de sucesso, casa-se com a professora Madalena (Isabel Ribeiro). A trilha sonora é de Caetano Veloso.
A grande noitada (1995)
Direção: Denoy de Oliveira
Tristão – o protagonista da história, vivido por Bastos – é um industrial solitário, cercado de familiares interesseiros. Ele conhece Mimi, uma manicure que cumpre condicional, e morre na cama com ela. Agora, Mimi precisa dar um jeito no corpo. Para escondê-lo, contará com a ajuda de um amigo travesti, Carlito, e do ventríloquo Cavernoso.
Conterrâneos velhos de guerra (1990)
Direção: Vladimir Carvalho
Othon Bastos narra a construção de Brasília neste documentário, que reúne imagens de arquivo raríssimas, depoimentos dos criadores da capital – como os arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa – e entrevistas com os trabalhadores que participaram da sua construção.
O pagador de promessas (1962)
Direção: Anselmo Duarte
O premiado longa de Anselmo Duarte adapta o texto de Dias Gomes que conta a história de Zé do Burro e sua promessa a Santa Bárbara/Iansã. O drama é protagonizado por Leonardo Villar, Glória Menezes e Dionísio Azevedo, mas traz também os jovens Antonio Pitanga e Othon Bastos, este no papel de um repórter.
No teatro
Integrante da geração do teatro da resistência – movimento que se coloca contra a ditadura militar de 1964 –, Othon Bastos transitou entre a Bahia, o Rio de Janeiro e São Paulo. Fez parte da primeira turma da escola de teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, nos anos 1960, ao lado de João Augusto de Azevedo, fundou a Companhia de Teatro dos Novos – quando conheceu a atriz Martha Overbeck, com quem se casou. O grupo foi responsável pela inauguração do Teatro Vila Velha, em 1964, espaço de formação, produção e difusão artística que ainda segue suas atividades em Salvador.
Em São Paulo, Bastos integrou o Teatro Oficina – ao lado de nomes como Zé Celso e Renato Borghi – e também atuou em peças de dramaturgos como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e Fernando Peixoto. Para saber mais sobre a trajetória do ator, acesse seu verbete na Enciclopédia Itaú Cultural.